O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou em Curitiba nesta sexta-feira (29) com uma pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28) mostrando o presidente Lula (PT) à frente por 46,5% a 41,4% em simulação de segundo turno, no retrato nacional que mede o desgaste do caso “Dark Horse” às vésperas do ato com o senador Sergio Moro (PL).
O levantamento ouviu 1.500 pessoas entre sábado (23) e quarta-feira (27), tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro BR-02918/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A pesquisa não é paranaense. O impacto no Paraná nasce da agenda política: divulgações públicas apresentam o evento de Curitiba como lançamento das pré-candidaturas de Moro ao governo do estado, de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado e do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) ao Senado, com Flávio Bolsonaro como nome nacional do palanque.
Para Moro, o dado chega no pior horário político. O ex-juiz tenta vender unidade da direita no Paraná, mas terá de dividir o mesmo palco com o pré-candidato presidencial que acaba de aparecer em queda no confronto direto com Lula.
O caso “Dark Horse” envolve áudios e mensagens sobre pedido de recursos a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro confirmou ter buscado patrocínio privado para a produção, nega irregularidade, diz que não houve dinheiro público e afirma que não ofereceu vantagem ao banqueiro.
A acusação em investigação, portanto, não é condenação. O fato político, porém, já foi medido pela pesquisa: 44% dos entrevistados disseram ter passado a ter opinião pior sobre Flávio Bolsonaro após o episódio; 30,8% afirmaram que a percepção não mudou; 14,5% disseram ter opinião melhor; e 10,7% não souberam responder.
Outro dado atinge diretamente a pré-campanha: 57% avaliam que o caso vai prejudicar muito ou um pouco a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026. Apenas 6% dizem que o episódio pode ajudar por efeito de vitimização.
Esse é o número que entra no salão em Curitiba. A direita paranaense pode lotar evento, erguer bandeira e falar em largada eleitoral, mas o presidenciável que chega ao lado de Moro aparece com desgaste identificado por instituto nacional, depois de semanas em que o Banco Master virou problema de campanha.
O eleitor conservador urbano de Curitiba, alvo natural do ato, também é o eleitor que comprou por anos o discurso lavajatista de combate à corrupção. A presença de Moro e Deltan ao lado de Flávio Bolsonaro cria uma pergunta simples para esse público: qual é o limite da aliança quando o candidato presidencial precisa explicar pedido de dinheiro a banqueiro investigado?
A resposta não virá só do microfone. Virá da reação de aliados, da cobertura do ato, da presença de lideranças locais e da disposição de Moro em comentar ou fugir do tema. Se o ex-juiz tentar reduzir o caso a ruído nacional, o dado da Meio/Ideia devolve a crise para dentro do Paraná.
O cálculo estadual também mudou. Moro precisa do bolsonarismo para disputar o Palácio Iguaçu com musculatura nacional. Flávio Bolsonaro precisa de Moro para mostrar força no Sul depois de perder fôlego em segmentos que a própria pesquisa identifica como sensíveis: jovens, centro-direita e eleitores de renda mais alta.
A pesquisa coloca número onde havia suspeita de desgaste. Lula aparece numericamente à frente no segundo turno, Flávio Bolsonaro cai em relação à rodada anterior e a maioria dos entrevistados vê prejuízo eleitoral no caso “Dark Horse”. Em Curitiba, isso transforma o ato de sexta-feira (29) em teste de blindagem política para Moro.
Se a agenda for mantida, o palanque paranaense receberá Flávio Bolsonaro depois de uma pesquisa que registrou queda nacional e dano de imagem ligado ao caso “Dark Horse”. Moro pode buscar unidade da direita; o número divulgado pela Meio/Ideia fará parte do palco.
Crédito: https://www.esmaelmorais.com.br/flavio-bolsonaro-pesquisa-moro-curitiba/
Responsável Editorial: Robson Leandro Nequel (Editor)
Assessoria Juridica: Vitor Finatto Advogados Associados