A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (1º) a Operação Wi-Fi Livre contra o Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada a Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go UP, responsável por Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. O contrato investigado com a Prefeitura de São Paulo é de R$ 108 milhões.
A operação recoloca Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no centro de um caso que já havia cruzado dinheiro privado, Banco Master e projeto eleitoral. O senador admitiu ter tratado com Daniel Vorcaro sobre recursos para o filme, mas nega crime e diz que a ação policial não tem relação com o longa.
O novo dado político está em Curitiba. Na sexta-feira (29), Flávio Bolsonaro subiu ao palco com Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL), atacou Lula (PT) e evitou responder aos questionamentos sobre Dark Horse.
Flávio Bolsonaro também não falou sobre a prestação de contas dos R$ 61 milhões captados junto ao Banco Master para financiar o filme. A omissão pesa porque o ato em Curitiba serviu para lançar Moro ao Governo do Paraná e projetar Flávio Bolsonaro como nome presidencial da direita.
A investigação de São Paulo mira suspeitas na contratação e na execução de um programa de internet gratuita em comunidades da capital paulista. O Instituto Conhecer Brasil deveria instalar 5 mil pontos públicos de wi-fi em 12 meses. Segundo a apuração divulgada, 3,2 mil pontos haviam sido instalados.
A entidade também teria apresentado notas fiscais consideradas irregulares para justificar despesas do contrato. A operação cumpre mandados de busca e apreensão para recolher documentos, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e materiais ligados à execução do serviço.
A Prefeitura de São Paulo nega irregularidades. A gestão municipal afirmou que o contrato seguiu legalidade, transparência e economicidade, disse repudiar ilações de desvio de recursos públicos e informou que colabora com as investigações.
A defesa política de Flávio Bolsonaro tenta separar o contrato de wi-fi do filme Dark Horse. Essa linha interessa diretamente ao palanque de Curitiba, porque Moro amarrou sua largada eleitoral no Paraná a um aliado cercado por perguntas sobre dinheiro, cinema, Banco Master e agora contrato público.
O problema para Moro é que a Operação Wi-Fi Livre não mira discurso, camiseta ou palavra de ordem. Mira contrato administrativo, nota fiscal, execução de serviço e suspeita de irregularidade com dinheiro público. É o tipo de apuração que atinge o terreno simbólico do ex-juiz: o discurso anticorrupção.
Deltan Dallagnol também entrou no enredo por escolha própria. O ex-procurador estava no mesmo palanque em que Flávio Bolsonaro foi tratado como alternativa presidencial do campo bolsonarista. Ao mesmo tempo, o Novo tem Romeu Zema como pré-candidato ao Planalto.
Filipe Barros completa a equação paranaense. O deputado federal do PL participou do ato em Curitiba e integra o grupo que tenta transformar a candidatura de Moro em polo da direita no estado. Com a operação em São Paulo, a defesa de Flávio Bolsonaro passa a ter custo investigativo, não apenas ideológico.
O Paraná virou vitrine de uma contradição nacional. O PL trabalha com Flávio Bolsonaro. O Novo tem Zema. O PSD de Ratinho Junior tem Ronaldo Caiado. Mesmo assim, alianças locais avançam como se as direções nacionais fossem obstáculo secundário.
A investigação de São Paulo não prova crime de Flávio Bolsonaro, Karina Ferreira da Gama, Instituto Conhecer Brasil ou Go UP. O que existe, por ora, é uma apuração policial e do Ministério Público sobre suspeitas em contrato público. Investigação não é sentença.
Mas política se move também pela associação pública. Na sexta-feira (29), Moro, Deltan e Filipe Barros dividiram palco com Flávio Bolsonaro em Curitiba. Na segunda-feira (1º), a polícia bateu à porta da entidade ligada à produtora do filme que já havia colocado Flávio Bolsonaro na defensiva.
A pergunta que fica para a direita paranaense é direta: Moro sustenta o palanque com Flávio Bolsonaro depois que Dark Horse entrou no rastro de dinheiro público? A resposta dirá se o discurso anticorrupção ainda organiza a estratégia ou se virou peça de conveniência eleitoral para 2026.
Crédito: https://www.esmaelmorais.com.br/dark-horse-dinheiro-publico-palanque-moro/
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