Em tempos de redes sociais, todo mundo tem algo a dizer. Mas será que todo mundo sabe o que está dizendo? A facilidade de acesso à informação criou uma geração que lê muito, mas compreende pouco. E isso não é apenas uma impressão — é estatística.
Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), grande parte da população brasileira opera nos níveis mais baixos de compreensão textual. Isso significa que muitos conseguem ler palavras e frases, mas não conseguem interpretar, inferir ou avaliar criticamente o conteúdo. Em outras palavras: sabem decodificar, mas não sabem refletir.
Em Cascavel, como em tantas cidades, é comum ver debates acalorados nas redes sociais, onde a convicção supera a lógica e a certeza ignora o contexto. A opinião virou argumento, e o achismo, autoridade. Mas quando a base é frágil, o discurso também é.
A tradição cristã ensina que sabedoria não é apenas saber — é saber ouvir. O livro de Tiago afirma:
“Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1:19)
Essa orientação bíblica se conecta diretamente com os níveis mais altos do alfabetismo funcional: compreender, inferir, avaliar. Saber ouvir é mais difícil do que saber falar. E em tempos de excesso de opinião, talvez o maior sinal de maturidade seja a escuta silenciosa e o discernimento espiritual.
A teologia também aponta que o Espírito Santo não atua no grito, mas no sussurro. E quem vive em ruído constante — seja digital ou emocional — perde a capacidade de discernir. A sabedoria, portanto, não é apenas técnica ou acadêmica. É espiritual. É saber que nem tudo precisa de resposta imediata, e que nem toda pergunta exige opinião.
O Brasil lê, mas não compreende. Opina, mas não escuta. E em Cascavel, como em todo o país, o desafio não é apenas educacional — é espiritual. Porque compreender exige humildade, e refletir exige silêncio. E talvez seja nesse silêncio que a verdadeira sabedoria comece.
Cascavel, 25 de setembro de 2025
Por Herickson Bonamigo