O Instituto Paraná Pesquisas registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma sondagem no Paraná contratada pelo PL para governador e senador, com divulgação prevista para 10 de junho, no momento em que a crise de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encosta no palanque do senador Sergio Moro (PL).
A pesquisa PR-06978/2026 prevê 1.500 entrevistas presenciais e domiciliares entre 7 e 9 de junho. A margem de erro informada é de 2,6 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O custo declarado é de R$ 135.900,00, pago pelo PL com recursos próprios do contratante.
O dado político está menos no número, ainda não coletado, e mais no calendário. O PL mandou medir o Paraná depois de semanas em que Flávio Bolsonaro passou a se defender no caso Banco Master, no financiamento do filme Dark Horse, na ofensiva dos Estados Unidos contra o Pix e na proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
O questionário não pergunta diretamente sobre Dark Horse, Banco Master, Pix, tarifa americana ou PCC e CV. Esse é o limite factual da leitura. O impacto dessas crises será captado de forma indireta, por intenção de voto, rejeição, percepção de vitória e desempenho dos nomes ligados ao mesmo campo político.
Para o governo do Paraná, o instituto testa voto espontâneo e cenários estimulados com Luiz França, Rafael Greca, Requião Filho, Sandro Alex, Sergio Moro e Tony Garcia. Há ainda uma pergunta sobre quem o eleitor acredita que vencerá a eleição, mesmo que vote em outro candidato.
Essa pergunta é importante para Moro. Ela mede força eleitoral, mas também mede clima de poder. Se o eleitor começa a separar liderança nas pesquisas de capacidade real de vencer, o PL terá um sinal de que o caso nacional de Flávio Bolsonaro atravessou a divisa do Paraná.
A rejeição também entrou no roteiro. O eleitor será perguntado em qual candidato a governador não votaria de jeito nenhum. Para um pré-candidato que construiu carreira com discurso anticorrupção e segurança pública, a companhia política de Flávio Bolsonaro virou ponto sensível depois dos áudios, das mensagens e da nova proposta de delação de Daniel Vorcaro.
Segundo registros do Blog do Esmael, do Intercept Brasil e de veículos internacionais, Vorcaro passou a incluir o filme Dark Horse em tratativas com investigadores. Flávio Bolsonaro admitiu ter buscado patrocínio privado para o longa sobre Jair Bolsonaro (PL), mas nega crime, nega contrapartida e diz não ter cometido irregularidade.
O problema eleitoral é que o caso deixou de ser apenas uma discussão sobre cinema político. A apuração envolve Banco Master, dinheiro, campanha presidencial, aliados da família Bolsonaro e um banqueiro investigado em um escândalo financeiro de alcance nacional.
A crise ganhou outra dimensão com os Estados Unidos. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs tarifa de 25% contra parte dos produtos brasileiros e citou práticas do Brasil em áreas como serviços de pagamento eletrônico. O Pix virou alvo político e econômico. Para o Paraná, a conta pode chegar a exportadores, cooperativas, indústria, logística e empresas que dependem de contratos em dólar.
A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, em vigor a partir desta sexta-feira (5), também entrou no ambiente da campanha. O tema saiu da segurança pública e passou a alcançar bancos, fintechs, portos, transporte, combustíveis e checagem de risco financeiro de empresas brasileiras com relação internacional.
Esse ponto atinge Moro por uma contradição direta. O ex-juiz da Lava Jato e pré-candidato ao governo do Paraná fala ao eleitor que quer ordem, combate ao crime e gestão dura. Ao mesmo tempo, seu partido nacional tenta sustentar uma candidatura presidencial atingida por um escândalo bancário, por ruído com os Estados Unidos e por decisões americanas que podem criar custo para a economia brasileira.
No Senado, a pesquisa também mede peças do mesmo arranjo político. O questionário inclui Alexandre Curi, Alvaro Dias, Cristina Graeml, Deltan Dallagnol, Dr. Rosinha, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann e Hauly em cenários diferentes. Deltan e Filipe Barros são nomes ligados ao palanque bolsonarista que recebeu Flávio Bolsonaro no Paraná; Gleisi aparece como principal voz petista contra a ofensiva americana.
Há ainda uma pergunta sobre participação em celebração religiosa nos últimos 10 dias. O item conversa com o peso do eleitor evangélico, justamente na semana da Marcha Para Jesus em São Paulo, onde Flávio Bolsonaro tentou seguir na rua ao lado de lideranças da direita depois do desgaste do caso Dark Horse.
Até 10 de junho, não há resultado público. Há registro, método, questionário e contexto político. Isso basta para mostrar o movimento do PL: medir se Moro continua blindado no Paraná ou se a crise de Flávio Bolsonaro começou a cobrar pedágio eleitoral no estado.
A pesquisa não decidirá a eleição de 2026. Mas pode mostrar quem ainda transfere força, quem carrega rejeição e quem terá de explicar ao eleitor paranaense por que o palanque local assumiu uma crise fabricada longe daqui, com efeitos possíveis sobre bancos, exportadores, empregos e soberania brasileira.
Crédito: https://www.esmaelmorais.com.br/parana-pesquisas-moro-dark-horse/
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